
Uma voz soa dentro do meu âmago
O amor grita, se expele, transborda
Nesse instante atinjo a paz
Os sentidos sentem a si mesmos
Evoco sentimentos
A razão se perde
Guio-me pelo que?
É tão indescritivel o que sinto
Como de olhos vendados caminho tentando sentir,
agarrar algo de sólido
Mas é tudo tão vago, tão fugaz e fantasioso
O que é real? Até que ponto ele existe?
Delírios se misturam a visões que nem eu mesma as sinto
Acordada? Não sei se estou
Um sonho, uma ilusão, quem sabe?
Me vejo em antítese entre o eterno e o efêmero
Talvez tudo não seja senão um surto
Mas de quê?
Lucidez?
Loucura?
O que sou enquanto indago sobre tais questões?
Já não sinto o corpo, o físico
Existo enquanto penso?
Transcendo enquanto sou?
*Anike Lamoso